Representantes de diversas organizações de mulheres se reuniram em um seminário realizado na Câmara dos Deputados para apresentar projetos de lei que desejam ver aprovados. Um dos destaques foi a proposta de reserva de vagas para mulheres em diferentes níveis do legislativo, incluindo federal, estadual e municipal.
A coordenadora-geral do Movimento Projeto de Lei Mais Mulheres na Política, Ana Maria Campos, falou sobre a importância de uma iniciativa popular para assegurar 50% de cotas para mulheres na Câmara dos Deputados, assembleias legislativas e câmaras de vereadores. Ela ressaltou que o texto do projeto já está finalizado, e o movimento precisa coletar 1,5 milhão de assinaturas para que ele avance na Câmara. Segundo Ana Maria, essa abordagem confere uma legitimidade maior à proposta.
“Não tem como chegar aqui nessa Casa e dizer: ‘nós queremos essa lei’ se não tivermos o Brasil inteiro de mãos dadas dizendo que é importante termos mulheres representando toda a população brasileira dentro das casas legislativas”, afirmou.
A ativista também destacou que das vagas destinadas às mulheres nas câmaras de vereadores, metade deve ser ocupada por representantes negras. Além disso, nos legislativos federal e estadual, as mulheres negras devem compor pelo menos 25% das vagas voltadas ao público feminino.
A deputada Tabata Amaral (PSB-SP) também participou do debate, defendendo a criação de cotas para mulheres nos conselhos de administração das empresas estatais e empresas de economia mista federais, com a proposta de destinar um terço das cadeiras para mulheres. Desse percentual, um terço deve ser ocupado por mulheres negras ou com deficiência. Tabata informou que o projeto já foi aprovado na Câmara e em todas as comissões do Senado.
“A gente está na boca do gol. E falta muito pouco. O presidente Davi Alcolumbre se comprometeu a pautar esse projeto assim que retornar do Japão. No entanto, a mobilização continua sendo crucial”, defendeu a deputada.
A representante do movimento Elas no Poder, Mariana Aquino, apresentou uma seleção de seis projetos que considera prioritários, incluindo a revogação da Lei de Alienação Parental.
Anne Caroline Fidelis, presidenta da Associação das Mulheres Advogadas de Alagoas (AMaDA), também levantou a bandeira pela revogação da referida lei, alegando que ela é frequentemente usada para perseguir mulheres, resultando na perda da guarda de crianças devido a falsas alegações.
“Essa lei precisa acabar. Ela é um instrumento de violência que atinge especialmente as mulheres”, afirmou Anne Caroline. A discussão sobre as propostas prioritárias para a representação feminina no Legislativo ocorreu no seminário Elas querem equidade: a força dos coletivos, promovido pela Secretaria da Mulher da Câmara e pelo Grupo Mulheres do Brasil.
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