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Prefeitura de Ipatinga entrega obras de modernização da Praça João Teófilo Pereira

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O haitiano Jean (nome fictício), 55, saiu do Brasil em dezembro de 2024 com a esposa, também haitiana, e seus dois filhos brasileiros. Ele trabalhava como pedreiro em Indaiatuba, no interior de São Paulo, desde o fim de 2010, quando migrou para o Brasil depois que a casa da família foi destruída pelo terremoto que assolou o país caribenho.

“Eu gostava muito da cidade, mas uma hora não consegui aguentar mais. Estava subindo o aluguel, água, luz, internet, mas o preço do serviço ficava o mesmo”, diz Jean.

Um primo dele decidiu tentar a vida nos Estados Unidos e iniciou um périplo pela América Latina. Convencido pelo parente, Jean fez o mesmo. Conseguiu um visto para chegar de avião até a Nicarágua e depois subiu até a fronteira do México com os EUA.

Em solo mexicano, Jean se juntou ao irmão, que também estava com a mulher e três filhos brasileiros. Todos das duas famílias conseguiram se cadastrar em uma audiência para pedir asilo e entrar legalmente nos EUA no dia 9 de fevereiro. Como tantos outros, desesperaram-se com o cancelamento súbito da consulta. “Vendi tudo que tinha. Não tenho como voltar ao Brasil agora”, afirma à reportagem, no abrigo onde está em Matamoros, fronteira com Brownsville, no Texas.

Os filhos de Jean fazem parte de um contingente em queda de brasileiros tentando chegar aos EUA pela fronteira com o México. De outubro a dezembro do ano passado, quando Trump já estava em campanha contra a imigração e posteriormente reforçou essa plataforma com a vitória nas urnas, menos de mil pessoas com nacionalidade brasileira foram apreendidas por autoridades americanas. Em janeiro, foram menos de 500.

A redução tem a ver também com medidas do antecessor, Joe Biden, para impedir o ingresso ilegal na região – o democrata criou meios para regularizar a entrada via pedidos de asilo, como o agora suspenso aplicativo CBP One, e aumentou as deportações. Foi uma reação ao aumento expressivo de travessias em seu governo, chegando ao pico de mais de 2,5 milhões em 2022.
Ainda assim, mesmo sem figurar entre as principais nacionalidades que cruzam a fronteira, os migrantes do Brasil passaram a procurar mais essa via de entrada nos últimos anos.

Estudo do MPI (Migration Policy Institute) de 2022 mostra que as apreensões de brasileiros na região por autoridades americanas subiram de 3.100 no ano fiscal de 2016 para 57 mil em 2021.
Já os agentes mexicanos apreenderam 17 mil brasileiros em 2021, ante apenas 300 em 2016. O salto entre os anos chamou a atenção e levou o México a exigir dos brasileiros visto de turista para entrada no país, a partir de agosto de 2022, na tentativa de conter o fluxo.

Um levantamento do MPI publicado neste mês revisou para cima a estimativa do total de imigrantes em situação irregular nos Estados Unidos e projeta que, em meados de 2023, havia 13,7 milhões de pessoas nessa situação. Desses, 286 mil seriam brasileiros, a 7ª maior população no total.

Em 2023, segundo um documento do serviço de imigração enviado ao Congresso americano, cerca de 70 mil brasileiros estavam nos EUA com o visto vencido, o que demonstra esta via como a principal forma de ingresso da comunidade brasileira. O Itamaraty estima que havia no ano passado por volta de 2 milhões de brasileiros em território americano, sem especificar o status legal desses cidadãos.

Gabrielle Oliveira, professora da Universidade Harvard que estuda imigração brasileira, diz que a busca pela fronteira, ainda que não seja a preferencial dos brasileiros, tem se tornado uma alternativa, possivelmente incentivada por um controle maior na concessão de vistos. “A maioria das minhas entrevistas mostra que os brasileiros que antes conseguiam vir como turista estão sendo negados”, relata.

No curto prazo, Trump parece ter conseguido desestimular travessias de um modo geral, inclusive de brasileiros. A reportagem visitou três pontos da fronteira e encontrou poucos deles. Os que achou estavam encurralados no México, no limbo por terem visto a chance de solicitar asilo nos EUA se esvair com a volta do republicano ao poder. Justamente o caso de Jean, a esposa e os filhos cidadãos brasileiros.

Atravessar irregularmente pelo rio Grande não está nos planos da família. A ideia é aguardar para ver se Trump reabre as vias de pedido de asilo e refúgio. Se isso não acontecer, o plano é ficar e trabalhar no México para se restabelecer financeiramente.
“Se não der certo, vou tentar os documentos aqui para as crianças irem para a escola e procurar outra cidade que tem serviço. Aqui (em Matamoros) não dá. Meu pensamento é trabalhar, fazer dinheiro e voltar para o Brasil e comprar uma casa.” Em abrigo em Reynosa, também visitado pela reportagem, também havia diversos haitianos com filhos brasileiros, incluindo bebês.

Confira a matéria completa em: zug.net.br

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