RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – O governo sueco anunciou, em 1º de outubro, a compra de quatro aviões C-390 Millennium da Embraer, marcando a Suécia como o nono país a adquirir este modelo de transporte da fabricante brasileira.
O comunicado foi feito por Peter Sandwall, número 2 da Defesa da Suécia, durante sua presença na LAAD, uma tradicional feira bienal de defesa e segurança. Sandwall, que se tornou membro da aliança militar OTAN em 2024 após romper com mais de dois séculos de neutralidade devido à invasão russa da Ucrânia, expressou: “Estamos orgulhosos de dar mais este passo”.
Ele revelou que a compra faz parte de um consórcio que inclui também a Holanda e a Áustria, esta última a qual é um país europeu próximo da OTAN, mas não integrante da aliança. No entanto, os valores do acordo não foram divulgados.
As negociações entre Brasil e Suécia, que se arrastam desde 2023, visam uma troca onde os países europeus trocam seus antigos cargueiros Hércules pelos C-390, enquanto a Força Aérea Brasileira negocia a aquisição de um lote adicional de caças Gripen.
Contudo, ainda não há consenso sobre a forma de ampliação da frota de 36 para 50 aeronaves sem a necessidade de um novo contrato. Embora um aditivo seja previsto em lei, existem complicações que implicariam um gasto adicional estimado em R$ 4 bilhões a longo prazo, aliado a um cenário fiscal incerto.
A compra conjunta da Suécia, Holanda e Áustria deve acelerar a entrega dos aviões, conhecidos pela designação KC-390, que corresponde à configuração capaz de reabastecimento aéreo. Assim, o KC-390/C-390 é agora operado por seis países da OTAN, rompendo um mercado anteriormente dominado pelo modelo C-130 Hércules.
O KC-390 foi desenvolvido a partir de uma encomenda da FAB e já foi vendido a Portugal (5 aeronaves), Hungria (2), Eslováquia (3), República Tcheca (2) e Holanda (5). Outros países que adquiriram a aeronave incluem Áustria (4), Coreia do Sul (3), além de um cliente não revelado, que analistas acreditam ser o Uzbequistão (2).
A Embraer também foca em países com frotas pequenas como Chile e Marrocos, além de potenciais grandes negócios com Índia e Arábia Saudita – que podem solicitar mais de cem aviões.
Por conta disso, há uma demanda crescente por mais uma linha de produção fora do Brasil, com negociações em andamento com empresas indianas e sauditas. Na Europa, a área de defesa da Embraer já controla uma fabricante em Portugal e se associou a uma empresa polonesa para ampliar a produção de peças para o KC-390.
Atualmente, o avião é bem avaliado pelos seus operadores: Brasil, Portugal e Hungria, com uma frota que apresenta 93% de disponibilidade e 99% de conclusão de missões. Bosco da Costa Júnior, presidente da Embraer Defesa & Segurança, comentou: “Essas aeronaves também ampliarão as sinergias europeias existentes em interoperabilidade, treinamento e suporte ao ciclo de vida”.
O maior operador individual do C-390 até o momento é o Brasil, com 7 das 19 aeronaves encomendadas já em operação.
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